Pokémon – Desafio ou oportunidade?

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Em uma sociedade altamente tecnológica, há ondas e manias, assim como modas e virais surgindo a todos instante. Coisas que eram legais ontem, hoje não o são mais. O que é descolado hoje amanhã será brega. O que era engraçado semana passada, na próxima semana será tão sério a ponto de gerar discussões acaloradas.

Nesse mundo de constantes novidades e mudanças há diversas coisas que nos chamam a atenção e até nos cativam por alguns dias. Mas há outras que conseguem alcançar as massas, mobilizar multidões e mudar a forma de se enxergar ou fazer algo, e podem durar de semanas a até anos, a essas algumas pessoas chamam de “fenômenos”.

Muitos desses fenômenos têm o poder de influenciar a sociedade, ou uma fatia específica dela. Foi assim nos anos 90 no auge dos álbuns de figurinhas e dos Tamaguchis (bichinhos virtuais), que cativaram boa parte da atenção das crianças da época. Falando dos álbuns, estes tinham suas vendas impulsionadas pelos fenômenos das telinhas: animes, desenhos animados e videogames.

Mas como tudo é passageiro, os fenômenos vão, e nascem novos para substituí-los. Mas há momentos em que alguém usa uma “carta mágica” ou “junta as esferas e faz um pedido a Shen-Long” e consegue trazer um fenômeno de volta à vida. Muitas dessas “ressurreições” não são bem-sucedidas, mas se forem usados novos artifícios e adaptações ao mundo tecnológico atual, é possível que o fôlego deste possa durar bem mais do que o imaginado.

Este é o caso do atualmente tão aclamado Pokémon GO™! Jogo lançado pela Niantic para as diversas plataformas móveis, e que têm levantado as mais diversas polêmicas e discursões.

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Pokémon GO- Mais de 1 milhão de instalações

Não é necessário entrar em detalhes, por que você leitor, possivelmente já deve ter ouvido falar, seja na internet, televisão ou nas diversas mensagens no WhatsApp que apontam o jogo como instrumento de Teoria da Conspiração da CIA ou a legiões de habitantes do Abismo. O jogo consiste em sair de casa – ou do confortável sofá – e literalmente andar em busca das criaturinhas que animavam as manhãs da garotada dos anos 90 e 2.000 (250 no total). É o ressurgimento de uma franquia que já arrecadou milhões através do desenho animado, jogos para Nitendo™ em suas diversas plataformas e na indústria de roupas, pelúcias e brinquedos. Mas agora, o fenômeno ataca de forma diferente.

Pokémon, que vem do anagrama Pocket + Monsters (monstros de bolso, em tradução livre), e parte do princípio que no “universo” do desenho animado os jovens podem capturar criaturas em esferas especiais e levarem em seus bolsos e mochilas por onde for, buscando sempre os animais mais raros. Nesta nova forma de jogo, os dois “universos” se encontram: o real (nosso) e o virtual (Pokémons). Através da tecnologia de Realidade Aumentada, que utiliza GPS e a câmera dos celulares para emular a presença dos bichinhos em diversos lugares do globo onde o Google Maps™ esteja presente. Mas, como escrevi acima, não quero aqui dividir com você uma biografia Pokémon. O objetivo principal deste texto é lhe ajudar a perceber a realidade que estamos vivendo e que importantes ações podem ser tomadas para salvação de nossos jovens.

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Capturando o Charmander

Uma das principais coisas a se fazer, ou melhor, não fazer, se você faz parte do movimento “anti-Pokémon” é parar de compartilhar mensagens “anti-Pokémon”, isso não dá certo. Assim como acontece com muitos outros conteúdos, virais e campanhas, quanto mais você compartilhar falando contra, mais pessoas ficarão sabendo, e até mesmo as que não conheciam ou não haviam ouvido falar, vão sentir o desejo e a curiosidade de instalar e jogar, só por causa do “marketing indireto” – conheço pessoas que só decidiram baixar e jogar depois de verem diversas mensagens criticando, condenando e dizendo para não jogar. Ao expor sua indignação e contrariedade ao jogo explicitamente, você vai causar o inverso do que realmente deseja. Então, continue lendo.

Agora, se você é do movimento “pró-Pokémon”, acredita que isso não tem nada a ver, que é apenas um jogo e não faz mal algum, eu digo o seguinte: tudo bem, Pikachu não é o rei dos demônios, e você não vai carregar o primeiro ministro do inferno em seu bolso com seu celular, mas é bom tomar alguns cuidados para manter sua integridade física e espiritual. E ainda mais, se você é um líder de jovens, você precisará desenvolver técnicas mais avançadas que os seus jovens amigos que também jogam e “dominam ginásios” com você. Continue a leitura.

Existe ainda um terceiro grupo de pessoas nesse novo mundo em que encontramos Pidgeys em cima do sofá e Ratatas na calçada do vizinho. É o movimento do “Evangelho em Realidade Aumentada” ou “Bible-Go” (tá bom, essa definição e nome fui eu que inventei, mas só pra exemplificar). Esse terceiro grupo, ao contrário dos apenas céticos, enxergam novas oportunidades no surgimento de novos (ou renovados) fenômenos, como o Pokémon-GO. Estas pessoas olham para a realidade aumentada presente no jogo e enxergam um terceiro universo entre os dois propostos no jogo: o universo espiritual, mas especificamente o celestial.

Esse terceiro universo – na verdade o primeiro e original – encontra-se completamente misturado ao nosso, principalmente após a vida, morte e ressurreição de Cristo para resgatar seus filhos. O problema é que poucas pessoas sabem ou se lembram que possuem o app “Biblia Sagrada” à disposição (aqui me refiro à versão impressa mesmo), através dele é possível enxergar nitidamente o quanto do universo espiritual há em nossa realidade, e o quanto este universo pode influenciar nossas vidas.

Ao pesquisar sobre as tragédias e confusões causadas por jogadores do jogo, você irá se deparar com situações cômicas e até “aberrações”, como também tristes infelicidades. Desde pessoas em lugares inusitados de formas inusitadas, até a pais que abandonaram o filho em casa para caçar Pokémons e acidentes fatais envolvendo jogadores. A lista é extensa, muita gente tem se dado mal ao não ler e nem seguir as instruções de segurança que o jogo apresenta.

Mas se você aproveitar e pesquisar sobre os benefícios e boas mudanças que o jogo causou, vai perceber que estas chegam a superar as anteriores. Lojas têm vendido cerca de 200% a mais que o normal utilizando como marketing a captura grátis de Pokémons em suas instalações ou ainda em suas propagandas em sites e nas redes sociais. Até o fato de utilizar a imagem dos personagens nas vitrines são impulsionadores de visitas. Lugares antes pouco visitados aumentaram o número de visitantes, mesmo que em busca de Pokémons.

Mas não é apenas no meio capitalista que a presença do jogo tem se mostrado eficaz. Pela primeira vez, em nossa era “Poketronic” (Pocket + Eletronic = eletrônicos de bolso, inventado agora) vemos um jogo trabalhar de forma contrária aos outros no ambiente social e relacional. Ao analisar outras grandes franquias atuais de jogos móveis, como Clash Of Clans, Subway Surfers, Candy Crush, Angry Birds e tantas outras, vemos que o produto dos jogos são pessoas alienadas, incomunicáveis, que jogam em casa, trancadas no quarto conversando apenas pelos mensageiros instantâneos ou chats dos jogos. A geração do smartphone está (ou estava) caminhando justamente neste rumo, a falta de interação com o mundo afora e, consequentemente, com as pessoas ao redor.

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Grande reunião para “caçada” no Central Park, NY, EUA.

E o que se tem percebido com o advento do Pokémon GO é justamente o contrário. Muitos jovens formam equipes para caçarem juntas, outros se encontram nos ginásios e Pokestops e acabam se conhecendo e formando novas amizades. É difícil discordar, que as pessoas estão saindo de casa e tomando um pouco de sol.

E é nesse aspecto que os “mestres Bible-GO” enxergam a oportunidade de “capturar” novos amigos, estudantes da bíblia, e futuros irmãos em Cristo. Ir aonde os jovens, os velhos, as pessoas estão indo, e através de criação e estreitamento de laços, desvendar a Realidade Aumentada da salvação aos jogadores que estão com sua conexão móvel e GPS desativados. É aproveitar-se da tecnologia, da era digital e praticar o Evangelismo Digital. Agindo desta forma, é possível literalmente “virar o jogo” para o nosso lado, e assim nos tornamos mestres em “capturar” almas.

O centro da questão, e das ações do Bible-GO não está no Pokémon-GO, não está no aumento de vendas ou de assaltos envolvendo a franquia, mas sim em perceber as oportunidades diferenciadas que a era digital coloca ao nosso alcance. É perceber o nível de alcance de um viral ou fenômeno e não ficar de braços cruzados reclamando e condenando os prós, ou lotar a timeline ou caixa de mensagem das pessoas com mensagens de que isso ou aquilo é obra do maligno, mas agir e desenvolver novos métodos de utilizar o “vento” ao favor do evangelho.

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Oportunidade de reunião e interação

Não pense que estou assim, apoiando e incentivando a instalação do jogo nos celulares dos jovens para que eles saiam desenfreada, deliberada e inseguramente por aí atrás de Pokémons e esqueçam da vida, escola, família… Jamais! Mas por favor, não vamos começar a condenar o jogo e exorcizar o celular de quem instalar. Deixe o jovem jogar, mas relembre ele dos princípios de segurança, e principalmente dos princípios bíblicos. Melhor um jovem que jogue 1 hora de Pokémon com seus vizinhos e amigos da igreja, e no final da caminhada aproveite a companhia para um estudo bíblico ou revisão da lição, do que um jovem que troque Pokémon por Clash Of Clans a noite inteira, de forma que se esqueça de estudar a Bíblia e se relacionar. Nada contra o jogo usado como exemplo, inclusive há pessoas que fazem o mesmo com outros conteúdos: música, filmes, séries, novelas, namoro, leituras seculares, etc.

O malefício das formas diferenciadas de lazer ou diversão está na forma que é feita e na quantidade de tempo gasta com as mesmas, como já abordado em outro artigo. Se qualquer atividade toma mais tempo e atenção, e permanece mais na mente do que o estudo e meditação na palavra de Deus, tenha certeza que isso com certeza é maléfico e consequentemente pecado. Então, a questão envolvida aqui é incentivar o jovem à temperança, que é fortalecida através da comunhão com Cristo.

Se você é do movimento “anti-Pokémons”, eu lhe convido a refletir na realidade que vivemos, na brevidade da volta de Cristo, nas pessoas que precisam ser alcançadas, nas dificuldades impostas pela alienação das pessoas no mundo móvel, e nas possíveis oportunidades que podem ser abertas com a adesão à realidade aumentada no jogo.

Se você é um daqueles que já tem um Chamander, Squirtle ou Bubblesaur em sua Pokédex, ou seja, um “pró-Pokémons”, lhe convido a reler os avisos do jogo: não jogue dirigindo, nem em locais perigosos, nem em becos escuros à noite, nem em canoas em lagos, nem na sacada, fique atento às placas e avisos, fique atento ao atravessar a rua, não deixe seus filhos sozinhos em casa… Na verdade, lhe convido a reler os avisos de Paulo: “… o melhor que vocês têm a fazer é encher a mente e o pensamento com coisas verdadeiras, nobres, respeitáveis … o melhor, e não o pior; … Façam assim, e Deus, que é soberano, irá tonar real em vocês a mais excelente harmonia.” (Filipenses 4:8-9 A Mensagem). Seja temperante, equilibrado, não desprenda mais tempo ao jogo do que ao estudo da bíblia, e busque através da comunhão, estudo e oração, coisas boas a se aprender com o jogo (de verdade).

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Há muita gente para “capturar” por aí!

E a ambos os movimentos acima faço um último convite: cogitem a hipótese de se tornarem membros do Bible-GO. Se você não joga, una-se a quem joga e busquem uma forma de levar esperança aos outros jovens. Se joga, estude os hábitos de outros jogadores que frequentam os principais lugares visitados (estádios e pokéstops) e desenvolva uma forma de alcança-los. Montem equipes, marquem encontros para tomar sorvete, comer pizza, conversar, estreitar laços. Só não deixem as oportunidades passarem, elas podem ser como o Dragonite: difíceis de achar, difíceis de capturar, mas com grande capacidade de resultados futuros.

 

R.G.

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